Lamento e indignação pela tragédia de Brumadinho

Lamento e indignação pela tragédia de Brumadinho

Lamento e indignação pela tragédia de Brumadinho

O peso do pesar, o peso de lembrar, que mais uma vez, o peso da lama pesou sobre vidas, sobre nosso meio, sob nossas vidas. O que, além do que já foi dito, falar sobre a tragédia de Brumadinho apenas três anos após a de Mariana? Ganância? Negligência? Má gestão? Descaso? O que foi, se foi, talvez saibamos, talvez não. O certo é que a relação entre as necessidades modernas, de um desenvolvimento econômico que nos leva a exploração mineral industrial não estão consoantes com as necessidades humanas e naturais que deveriam zelar pela sustentabilidade das condições de vida de todos nós, ao menos no Brasil, ao menos em Minas, e ao menos na Vale.
As diferentes lagoas e barragens de rejeitos minerais não são construídas sem impactos ambientais e humanos. Mesmo que cuidadas e estabilizadas representam riscos, por menores que sejam, que terão que ser geridos pelas gerações futuras. A Barragem do Feijão em Brumadinho, desativada e estabilizada, mostra exatamente isso. No entanto, dados mostram que existem muitas outras, que mesmo licenciadas, não estão sendo propriamente cuidadas.

Processos de licenciamento afirmam que minerodutos não vazam, e vazaram, que barragens que não rompem, e romperam, que construções que não deveriam ruir, ruíram. Os “riscos”, mesmo que mínimos, acabam se mostrando presentes. E, na grande maioria dos casos, se não em sua totalidade, quem sofre as consequências não são os mesmos que imputam os riscos.

Riscos ambientais e humanos não são normalmente ressarcidos em processos de licenciamento ambiental, já que são considerados parte do princípio legal da responsabilidade total sobre quem empreende. Ou seja, quem empreende assume os riscos sobre todos os possíveis danos em consequência da atividade empreendida. Porém, o que observamos em Mariana e em outros casos, é que não é isso que tem sido observado na prática. Quando a responsabilidade total deveria ser exercida e cobrada ela recai, mais uma vez, nas costas da sociedade, literalmente mergulhada em lama, enquanto os que criaram o problema acham subterfúgios para sair de cena e da lama.

Será que a sociedade de hoje tem clara ciência dos riscos que corre com os projetos que aceita? Os processos de licenciamento estão traduzindo as necessidades sociais, humanas e ambientais; estão se compatibilizando com os modos de ser e viver das populações de suas áreas de influência? O monitoramento dos riscos existentes estão sendo propriamente, e amplamente discutidos? A sociedade, principalmente as diretamente envolvidas em áreas de risco, tem que ter acesso às informações que claramente demonstrem os riscos que correm, aos planos de emergência e monitoramentos sendo feitos, e só assim poderão se sentir seguras para conscientemente aceitar (ou não) os riscos corridos por ela e pelas gerações futuras.

Nossos profundos sentimentos de pesar a todos os atingidos e suas famílias. Nossa solidariedade aos movimentos por atingidos por mineração (MAM), ao movimento dos atingidos por barragens (MAB) e a todos os outros movimentos que buscam rever as relações entre o desenvolvimento e a sustentabilidade humana. Por mais transparência e participação popular e social nos processos de licenciamento ambiental de grandes empreendimentos industriais. Por mais respeito à população e a sociedade civil.

Sociedade Brasileira de Ecologia Humana – SABEH

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