Nota sobre a Ecologia Humana na América Latina

Nota sobre a Ecologia Humana na América Latina

Capa de Livro: Nota sobre a  Ecologia  Humana na América Latina

Quando pensamos a Ecologia Humana no mundo visualizamos dois grandes núcleos: O Certificado Europeu Círculo Europeu de Ecologia Humana e a Sociedade Norte-Americana de Ecologia Humana (SHE). Ambos tiveram influências nos modos como a Ecologia Humana foi se estruturando em todo o mundo, particularmente nos países da América Latina (Hispanoamérica e Brasil) que, à sua maneira, vem estruturando um modo bem singular de pensar a espécie humana nesta região do planeta.

Sobre a memória de como tem se enraizado a Ecologia Humana na Hispanoamérica, temos o artigo intitulado Ecología Humana en Hispanoamérica: Una Revisón de Sus Aplicaciones Actuales[22], de autoria de Amado Ortiz e Maria José (2016) da Universidade Nacional de Assunção, publicado no 2o. número da revista Ecologias Humanas da SABEH.

O que estamos chamado de hispanoamérica é esse imenso território de mais de 11 milhões de km2, composto por 20 países (México, Cuba, Costa Rica, Guatemala, Honduras, Belice, Porto Rico, República Dominicana, Colômbia, Chile, Paraguay, Argentina, Bolívia, Peru, Equador, Uruguay, Venezuela, Panamá, Nicaragua, El Salvador)  que, juntos, totalizam uma população de quase 400 milhões de habitantes.

Temos em toda a América Latina um volume imenso de pesquisas envolvendo as comunidades humanas com seus ambientes, analisadas a partir de diferentes campos de conhecimento. No que tange a perspectiva da Ecologia Humana, observamos um forte trabalho desenvolvido por universidades e diversos centros de investigação espalhados numa imensa rede no tecido de investigação nas américas.

Por exemplo, temos o Laboratório de Paleoecologia Humana da Faculdade de Ciênicas Exatas e naturais da Universidade Nacional e Cuyo, na Argentina; o laboratório de Ecologia Humana do Centro de Antropologia do Instituto Venezuelano de Investigação Científica; O Instituto de Ecologia Humana do Chile; O Departamento de Ecologia Humana do México, onde é oferecido um mestrado na área; entre outros.

Destacamos, a Ecologia Humana praticada em países latino-americanos difere-se desses núcleos centrais referidos, caracterizando-se como um contingente que pensa a relação humano-natureza com matizes que trazem novas configurações à Ecologia Humana na era contemporânea.

Recortamos desse universo a forma como a Ecologia Humana foi estruturada no Paraguai que, de 1988 até 1990, implantou o projeto de formação em Engenharia para a Ecologia Humana na Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Nacional de Assunção (UNA) que, em 2016, completou 25 anos de existência, sendo a única graduação em Ecologia Humana da América Latina. Neste mesmo amo foi criada a Sociedade Científica de Ecologia Humana do Paraguay – SOCIEHP.

Como descreve Amado (2016) os postulados fundamentais e universais da Ecologia Humana são identificados claramente na metade dos países hispanoamericanos aplicados em universidades, institutos, laboratórios, em projetos de investigação e de desenvolvimento, todos eles podendo ser agrupados dentro do âmbito acadêmico-científico, em espaços de reflexões e formação, em territoriais diversos e, como aporte para outras disciplinas.

O Brasil tem se apresentado como outro polo de referência em Ecologia Humana na América Latina. Inicialmente, a história da Ecologia Humana por aqui, está associada às ações acadêmicas concentradas no Sul e Sudeste do país, dos quais destacamos o qualificado trabalho de Donald Pierson, enviado por Robert  Park, da Escola de Chicago, para trabalhar e difundir a Ecologia Humana nesta parte do mundo. Depois dele, referimos o trabalho de Paulo Machado, que esteve à frente dos primeiros congressos internacionais de Ecologia Humana no Brasil. Numa perspectiva mais acadêmica, são dignos de referencias, as iniciativas do Prof. Ávila-Pires, da UFSC,  de Geraldo Marques e Alpina Begossi, da UNICAMP.

No Norte do país temos o consolidado trabalho coordenado pelo Professor Alfredo Wagner da UFAM. No Nordeste, o marco inicial foi o incansável trabalho de Maria José Araújo Lima, que coordenou o Núcleo de Ecologia Humana no Nordeste.

Foi, entretanto, em 2008 que, na UNEB (Universidade do Estado da Bahia), iniciamos um curso de  especialização em Ecologia Humana que deu origem ao mestrado, aprovado pela CAPES em 2010, somando aos poucos que resistem em toda a América Latina, diga-se de passagem, sem nenhuma ocorrência de programas de doutorado na área.

A partir do trabalho desenvolvido no mestrado de Ecologia Humana e Gestão Socioambiental da UNEB (PPGECOH), tomamos a iniciativa de fundarmos a Sociedade Brasileira de Ecologia Humana (SABEH), em 20 de agosto de 2012.

Observamos, portanto, que de forma vivível, já há um grande contingente de instituições e pessoas que trabalham com o campo da Ecologia Humana em toda a América Latina. Ao contrário de muitas áreas do conhecimento, não temos ainda uma rede internacional mais consolidada que agrupe esses diferentes núcleos já estabelecidos em todo o mundo. Está para ser criada a Sociedade Mundial de Ecologia Humana.

A partir das relações que fomos estabelecendo, sobretudo a partir dos nossos contatos nos congressos internacionais que realizamos no Brasil, Portugal e Paraguai, cresceu a necessidade de consolidarmos nossas relações, o que nos levou, em setembro de 2016, em Assunção, à criação da Rede Latino Americana de Ecologia Humana – RELAEH.

Participam dela nove países, entre os Brasil, Paraguay, México, Bolivia, Portugal, Porto Rico, Espanha, Nigeria e Chile. Esse coletivo objetiva reunir países latino-americanos para discutir  e fomentar o trabalho com a Ecologia Humana nessa parte do mundo, haja vista, a Ecologia Humana ser uma área sólida na Europa, Estados Unidos e outras partes do mundo, mais ainda pouco conhecida na América Latina.

Dr. Juracy Marques1

Dr. Amado Insfrán Ortiz2

[1] Professor Titular da Universidade do Estado da Bahia (UNEB); docente do mestrado de Ecologia Humana e Gestão Socioambiental (PPGECOH) e do mestrado de Educação, Cultura e Territórios Semiáridos (PPGESA), membro da Sociedade Brasileira de Ecologia Humana (SABEH). E-mail: juracymarques@yahoo.com.br.

[2] Professor Investigador, Direção de Pós-Graduação da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Nova de Assunção. E-mail:amado.insfran@agr.una.py.

 

No comments.