ECOLOGIA HUMANA: Uma visão global

ECOLOGIA HUMANA: Uma visão global

Capa de Livro: ECOLOGIA HUMANA: Uma visão global
Parte da Vol 1 série:
Edições:PDF (português)
ISBN 978-85-99799-91-8
Páginas: 368

A Ecologia Humana é uma área de formação e de investigação que adota uma perspectiva pluridisciplinar para analisar as interações entre os sistemas sociais e os sistemas ecológicos estimulando a emergência de competências transversais e especializadas para a leitura das mudanças sociais e ambientais que resultam dessa interação.

A Ecologia Humana é uma área de formação e investigação consolidada ao nível mundial. Para além dos EUA, onde um elevado número de Universidades tem departamentos ou oferece cursos em Ecologia Humana ou do Canadá, estes encontram-se também em universidades do México, da Austrália, do Japão, da China e na Europa, de Portugal, da Alemanha, da França, da República Checa e da Inglaterra, entre outras.
Para além disso existe um conjunto amplo de revistas temáticas que publica artigos nesta área. Entre elas podemos destacar a Human Ecology, editada pela Springer, que publica regularmente desde 1972 artigos sobre o papel dos fatores sociais, culturais e psicológicos na manutenção ou degradação dos ecossistemas e os efeitos da densidade populacional sobre a saúde, a organização social e a qualidade ambiental; o mais recente Journal of Human Ecology, publicado em Nova Deli, Índia, divulga desde 1990 artigos na área interdisciplinar da Ecologia Humana; a Society for Human Ecology edita a sua própria revista desde 1993, a Human Ecology Review que publica artigos teóricos e de investigação sobre a interação entre o ser humano e o ambiente; e a HUMAN ECOLOGY: An Interdisciplinary Journal, editada pelo Departamento de Antropologia do Hunter College, da Universidade da cidade de Nova Iorque publica desde 1972 artigos de investigação em áreas diversas desde a antropologia, a geografia, a psicologia, a sociologia e o planeamento urbano.

Aguardamos com muita expectativa a edição da primeira revista em língua portuguesa para acolher os artigos da nossa crescente comunidade de ecólogos humanos. Essa revista “Ecologias Humanas” será da responsabilidade da Sociedade Brasileira de Ecologia Humana (SABEH).

Trata-se assim de uma comunidade internacional vibrante e dinâmica que acolhe um crescente número de pessoas que procuram a pluridisciplinariedade, o convívio entre saberes de várias áreas científicas, a liberdade para desenvolverem a sua investigação num contexto que acolhe a diferença e a diversidade. Esta postura diferencia-a de outras ciências especializadas, fechadas em “silos epistemológicos” e em que as fronteiras do que é ensinado e investigado estão bem definidas. A Ecologia Humana distingue-se pela forma como “olha para o mundo envolvente” onde também não existem fronteiras bem definidas pois os fenômenos ambientais e os fenômenos sociais são interdependentes.

Mas afinal o que é a ecologia humana? O que é que estuda?
Quais são as inquietações que movem os ecólogos humanos?
Como as abordam e investigam?

Nesta coletânea de textos encontramos respostas para essas questões e ficamos a perceber melhor esta fascinante área de conhecimento.

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Os 3 primeiros capítulos são elucidativos quanto à emergência da Ecologia Humana, seu objeto de estudo e o que a distingue das outras ciências.

No primeiro capítulo Ronaldo Alvim, autor do livro “Ecologia Humana: da visão acadêmica aos temas atuais”, recentemente publicado, faz uma abordagem das Bases da Ecologia Humana referindo como ela se transformou numa ciência altamente especializada mantendo, ao mesmo tempo, uma visão holística, abrangente e transdisciplinar, condição que a torna complexa e mesmo difícil de ser definida.

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Roderick J. Lawrence é o Coordenador do Grupo de Ecologia Humana do Instituto de Ciências Ambientais da Universidade de Geneve e escreve o capítulo sobre Dialogue Between Disciplines: Contributions of Human Ecology. Nele o autor explica como o contexto político, econômico, ambiental e social se alterou profundamente desde a década de 20, do século 20, quando a Ecologia Humana emergiu. Lawrence faz um percurso
pelas várias áreas científicas, desde a antropologia, a arquitetura e planeamento urbano, a economia, a epidemiologia, a psicologia, a sociologia e a teoria dos sistemas, com as quais de uma ou outra forma a ecologia humana interage, referindo o contributo que cada uma delas deu para o desenvolvimento da investigação em ecologia humana.

No capítulo sobre Ecologia Humana: Reflexões Sobre a Natureza da Humanidade, Juracy Marques, Presidente da Sociedade Brasileira de Ecologia Humana (SABEH), mostra como no estudo da dinâmica dos ecossistemas ficou de fora uma espécie, a espécie humana. Como refere a Ecologia Humana é uma ecologia que coloca gente nos ecossistemas e situa-se nas inquietações sobre essa relação entre a espécie humana e os
ecossistemas. Traça a evolução conceptual da ecologia humana desde a sua emergência ligada à Escola de Chicago, nas década de 10 e de 20, do século 20, passando pelo importante artigo de Robert Park “Human Ecology” publicado em 1936 no “American Journal of Sociology”, até à atualidade.

Iva Miranda Pires é coordenadora do Mestrado e do Doutoramento em Ecologia Humana, da Universidade de Lisboa. Na sua contribuição Problemas Sociais Complexos: O Olhar da Ecologia Humana caracteriza este tipo de problemas, de elevada complexidade e de difícil solução, mostrando como a Ecologia Humana, que propõe uma visão holística e pluridisciplinar, está bem posicionada para contribuir para os identificar e encontrar soluções.

Ajibola Isau Badiru, arquiteto e Professor Titular pela Universidade Tiradentes, parte de um conjunto de questões iniciais, em particular porque é que o planeamento socioambiental incorporou mais questões econômicas do que ambientais?para organizar o seu ensaio sobre Ecologia do Processo de Planejamento Socioambiental.

Desde a Revolução Industrial e consequente transferência de populações rurais para as cidades estas tiveram um crescimento explosivo o que coloca enormes desafios para a gestão destas áreas considerando a sua sustentabilidade. Descreve em seguida várias formas de gestão e de planeamento, nomeadamente planeamento ambiental, e ainda o Processo da Metodologia da Avaliação de Impactos Ambientais.

Masatoshi Yoshino é japonês e especialista em climatologia. No ensaio Tsunami Disaster as an Environmental Factor of Human Life and Society fala-nos no impacto que o tsunami de 2011 teve quer na população das áreas afetadas quer no território e da lenta recuperação dado o grau de devastação que ele provocou. Catástrofes naturais desta grandeza afetam o quotidiano das populações de diversas formas pelo que é necessária
uma abordagem holística, como a praticada pela Ecologia Humana, para encontrar soluções.

No capítulo Buen Vivir: Perspectivas de Mudança Civilizacional a Partir do Equador, Sónia Nobre, médica e voluntáriana da organização Médicos do Mundo, mostra que existem alternativas para o conceito de bem estar muito associado ao paradigma de desenvolvimento ocidental. Neste ensaio é apresentado o conceito de Buen Vivir que teria emergido nas décadas de 80 e de 90 do século XX, por intermédio dos movimentos
indígenas equatorianos. Desde essa altura o conceito de Buen Vivir, que assenta nas premissas fundamentais da harmonia e do equilíbrio entre todos os seres vivos, incluindo o ser humano e a Mãe Terra, fez o seu percurso no contexto acadêmico e político, suscitou amplos debates e inúmeras publicações até ter sido incorporado como fio condutor da nova Constituição equatoriana.

Amado Insfrán Ortiz e Maria José Aparicio Meza, ambos formados na área da Ecologia Humana no ensaio Hambre  y Abundancia: La Doble Crisis Y Los Desafíos en el Campo de la Ecología Humana, utilizam a perspetiva holística e multidisciplinar da ecologia humana para discutirem a fome e a abundância, entendidas como uma dupla crise da Humanidade no início do seculo 21. Embora, dada a complexidade do tema, pareçam existir mais perguntas que respostas, impondo grandes desafios à ecologia humana, a recuperação de formas de alimentação local, associadas à cultura das comunidades e a recuperação dos ecossistemas como estratégias de desenvolvimento podem ser respostas possíveis.

Hernán Castellanos, doutorado em Ciências Biológicas e Ronaldo Gomes Alvim colocam esta questão de partida ¿ESel Desarrollo Sostenible Ajustado a la Visión de Equilibrio en la Ecología?.Desde que foi apresentado no Relatório Brundtland, em 1987, o conceito de desenvolvimento sustentado tem sido amplamente discutido, criticado, adotado, mal interpretado e re-inventado. É talvez um dos conceitos mais difundidos
e estudados; fazendo uma pesquisa simples no Google com a expressão desenvolvimento sustentável obtemos cerca de 21.400.000 resultados. Apesar de já terem passado quase três décadas desde a sua formulação continuam a persistir barreiras e algum desacerto social quanto à sua implementação, como bem mostram os autores.

Finalmente, Manuel Cesario no capítulo sobre Human Ecology on Ecosystem Services for Human Health, mostra que existe uma relação entre biodiversidade e saúde humana lamentando a pouca atenção que lhe tem sido dada. Apresenta quatro casos de estudo que mostram como a saúde humana depende da “saúde” dos ecossistemas e como ecossistemas preservados podem ter um papel importante na prevenção da doença. Por exemplo, a fruição da natureza selvagem ou um passeio num parque podem contribuir para o bem-estar psicológico, ecossistemas preservados são essenciais para uma larga parte da população mundial que ainda depende da medicina tradicional, ou mesmo a sua importância na reabilitação física ou na re-integração social acolhendo desde sanatórios a estâncias termais ou espaços de meditação. A Ecologia Humana, capaz de construir pontes entre a tecnologia, a sociedade e o ambiente, proporciona o enquadramento metodológico adequado para estudar estas inter-relações.

Este livro, que será lançado no II SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE ECOLO GIA HUMANA — A pesquisa em Ecologia Humana, organizado pela Universidade do Estado da Bahia, Campus VIII, na cidade de Paulo Afonso, de 11 a 14 de Setembro de 2014, faz jus ao lema da Ecologia Humana pela diversidade de abordagens apresentadas, pela diversidade de temas, de autores, de formações e de nacionalidades. Confiamos que possa ser útil para todos os que já conhecem ou estão a iniciar o seu percurso de investigação na área da Ecologia Humana.

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