Ecologia Humana em Ambiente de Montanha

Ecologia Humana em Ambiente de Montanha

Capa de Livro: Ecologia Humana em Ambiente de Montanha

Este livro é fruto do estágio pós-doutoral da Dra. Amazile López Netto na Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Programa de Pós-graduação em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental (PPGEcoH) sobre ecologia humana em ambientes de montanha, tendo como estudo de caso, o povoado da Serra dos Morgados, localizado na Chapada Diamantina, município de Jaguarari, estado da Bahia. Almeja-se que o (a) leitor (a) entenda a importância da ecologia humana em ambientes de montanha; para isso o livro - além desta introdução e considerações finais - foi planejado em capítulos que abordam o que é ecologia humana; o que são ambientes de montanha e; breves comentários sobre trabalhos que estão sendo realizados em ecologia humana em ambientes de montanha ao redor do mundo; para finalmente apresentar o povoado da Serra dos Morgados, estudo de caso desta pesquisa.

As montanhas são parte integrante do cenário das nossas vidas. Não são apenas objeto de pesquisa e, por isso compartilhamos com o (a) leitor (a) um pouco das nossas histórias para que compreendam as razões que levaram Amazile ao seu estágio pós-doutoral na UNEB e, ao Prof. Juracy, por optar em supervisionar este trabalho.

Amazile nasceu no Rio de Janeiro, entre o mar e as montanhas. No início da adolescência, sua família mudou-se para a Serra do Mar, Região Serrana Fluminense, município de Nova Friburgo. Entre idas e vindas pelo Brasil e mundo afora, as montanhas friburguenses sempre foram seu porto seguro, o que ela chama de lar.

No final de 2007, foi trabalhar na Secretaria do Meio Ambiente de Nova Friburgo, onde deparou-se com questões próprias das regiões montanhosas, principalmente em unidades de conservação e zonas de amortecimento. Em 2010, iniciou o doutorado no Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Inovação em Agropecuária da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) onde realizou a pesquisa intitulada: políticas públicas para desenvolvimento rural sustentável em ambientes de montanha. Em 2011, estudando e ainda trabalhando na Prefeitura Municipal de Nova Friburgo, presenciou a maior catástrofe ambiental climática do Brasil, que atingiu principalmente Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis. A catástrofe corroborou com a necessidade urgente de um olhar específico e diferenciado para os ambientes de montanha no Brasil (LÓPEZ; AQUINO; ASSIS, 2011), conforme descrito no livro “Agricultura de Montanha: Uma Prioridade Latente na Agenda da Pesquisa Brasileira”.

Durante seu período de trabalho no Instituto Estadual do Ambiente (INEA), como chefe de unidade de conservação, reafirmou a convicção sobre a complexidade dos ambientes de montanha e a necessidade imperativa de pesquisas sobre o tema. Sendo assim, em 2014-2015, realizou seu primeiro estágio pós-doutoral na UFRRJ / Embrapa Agrobiologia – Núcleo de Pesquisa e Treinamento para Agricultores de Nova Friburgo, tendo como tema, práticas agroecológicas em ambientes de montanha.

Foi em 2015, que encontrou na internet o edital para estágio pós-doutoral no Programa de Pós-Graduação em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental (PPGEcoH) da Universidade do Estado da Bahia. Para sua surpresa descobriu que já trabalhava com ecologia humana, mas, não sabia! Curiosa e encantada com essa abordagem já bastante consolidada na Europa e EUA, desceu para a Bahia, para realizar seu estágio pós-doutoral junto a uma equipe de pesquisadores responsáveis pela realização do único programa de pós-graduação em Ecologia Humana do Brasil.

Acreditamos que “nada é por acaso”. No dia em que chegou a Juazeiro, juntamente com Juracy Marques, à época coordenador do PPGEcoH, pensamos sobre a possibilidade do trabalho estar focado na comunidade da Serra dos Morgados, em Jaguarari, norte da Bahia. Era para Amazile, especialista em ecologia de ambientes de montanhas, um lugar intrigante que despertou nela uma grande curiosidade como investigadora.

Trata-se de uma região produtora de água, verde, uma das ecofisionomias do bioma caatinga. Para um ecólogo humano, um lugar superinteressante, onde, há século, dezenas de famílias vivem encravada na natureza tirando dela as condições básicas para suas vidas. A Serra dos Morgados é um local de um povo especial e amoroso que mora num cantinho muito especial do mundo.

Juracy Marques, supervisor desse trabalho, já nasceu na Serra. Seus avós, Manuel Cândido e Alice Marques, tiveram uma vida dedicada a este espaço. Tinham muitas roças, onde produziam café, banana, jaca, manga, mamão, além de criarem gado, sobretudo para a produção de leite. O menino jaguarariense que saíra cedo para estudar em algumas capitais e fora do Brasil, tem uma relação atávica com a Serra dos Morgados. Retorna para entender as plantas e os bichos daqui, mas sobretudo, para compreender a dinâmica dos moradores da Serra, sua ecologia humana nesse ambiente.

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